Escrita por: FENADEGAS em Dezembro 16, 2020 em Comunicados Vendas

Na sequência da posição de outras associações do setor do vinho, vem a FENADEGAS reforçar a sua posição sobre a proibição de venda de bebidas alcoólicas após as 20 HORAS.

No âmbito das medidas adotadas pelo Governo de combate à pandemia COVID-19, mantem-se até hoje, a proibição de venda de bebidas alcoólicas a partir das 20h nos estabelecimentos de comércio a retalho, incluindo supermercados e hipermercados e ainda nos espaços exteriores dos estabelecimentos de restauração e bebidas, exceto se estiverem integradas na refeição

A pandemia da COVID-19 teve um impacto negativo no setor do vinho, tanto ao nível nacional como ao nível das exportações.

No mercado interno, as empresas que vendem na distribuição não tiveram tantas quebras, embora com diminuição de preço, mas as que dependem essencialmente do canal HORECA (Restauração/Bares) entraram numa profunda crise. As vendas para a restauração sofreram uma quebra de cerca de 50% tanto em volume como em valor não sendo previsível grandes melhoras nos próximos meses pois a situação epidemiológica está a agravar-se, a confiança dos consumidores em níveis muito baixos e o turismo não dá sinais de retoma tão depressa.

O setor vitivinícola é um grande impulsionador da economia nacional, com grande importância da manutenção de agricultores nos espaços rurais e ordenamento do território. Dá emprego, oportunidades de investimento, estabilidade económica e sustentabilidade ambiental, tendo em 2019 atingido as exportações de vinho português o valor mais alto de sempre, cerca de 822 M€.

Mas sendo um setor responsável, está sempre disponível para colaborar em todas as políticas e medidas que visem acautelar a saúde pública. Compreendemos a medida decretada pelo Governo, em março de 2020, de proibir o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, por a mesma potenciar o convívio e a violação da regra do distanciamento social, em especial no Verão, exigida pela pandemia, mas neste momento não faz sentido continuar, até porque não há nenhuma evidência cientifica da “bondade” desta medida.

Num país como o nosso, em que o consumo de vinho está associado às refeições e à dieta mediterrânica, não se entende a proibição da venda de bebidas alcoólicas, após as 20h, nos estabelecimentos de comércio a retalho, incluindo supermercados e hipermercado. Esta medida prejudica todos consumidores que pretendem fazer as suas compras em horário pós-laboral e tem incentivado a aglomeração de pessoas no horário anterior às 20h.

Igualmente a proibição da venda de bebidas alcoólicas alargada às esplanadas, quando os estabelecimentos de restauração e bebidas já provaram que podem ser adotadas medidas de distanciamento social. Desde que sejam cumpridas as regras de distanciamento social, não compreendemos qual a diferença entre estar a consumir uma bebida não alcoólica numa esplanada ou uma bebida alcoólica.

Num momento tão difícil para as nossas empresas, em que o canal HORECA continua a ter quebras muito significativas, é fundamental continuar a vender nos estabelecimentos de comércio a retalho, incluindo supermercados e hipermercados e nas esplanadas, sem restrições que não têm qualquer justificação de saúde, pelo que apelamos ao Governo que não prorrogue tais medidas.

Lisboa, 16 de dezembro 2020

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